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Fandango será o primeiro bem imaterial do Sul

O Estado do Paraná, em 27/12/2010

Em 2006, o livro sobre Museu vivo do fandango foi lançando. As imagens foram retiradas da obra idealizada por Joana Corrêa.

Uma das mais belas e legítimas manifestações da cultura do estuário caiçara, que abrange o litoral do Paraná e litoral sul de São Paulo, o fandango, deve se tornar o primeiro bem imaterial do sul do Brasil agraciado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), órgão ligado ao Ministério da Cultura (MinC).

Com isso, a cultura do fandango ganha o status de ser reconhecido pelas suas características particulares e preserva sua ancestralidade, para que as gerações vindouras possam conhecê-la e respeitá-la.

De acordo com o pesquisador e produtor cultural, Eduardo Schotten, ainda não há uma data oficial para o fandango ser reconhecido como Patrimônio Imaterial, mas isto deve ocorrer já em 2011.

“O processo já tem algum tempo, mas está bem adiantado. Para que o fandango pudesse ser alçado a esta condição, foi necessária muita pesquisa e muito trabalho. Estamos felizes que logo o nosso fandango esteja no mesmo patamar da roda de capoeira, do frevo, do samba de roda, feira de Caruaru, Círio de Nazaré, festa do Divino de Pirinópolis, entre outros”, explica.

Schotten revela ainda que o mais interessante disso tudo é o fato de que o movimento partiu da iniciativa popular. “As pessoas envolvidas com o fandango é que correram atrás disto. O mérito é toda delas”, diz.

Além da importância, o fato de se tornar um bem imaterial vai garantir ao fandango condições para a sua sobrevivência. “Ao se tornar este bem imaterial, haverá uma série de ações para que esta tradição tenha sua sobrevivência garantida, muito embora haja um movimento forte e relativamente antigo no Paraná, principalmente na cidade de Paranaguá, para manter a chama do fandango acesa”, avalia o pesquisador.

O fandango trabalha não apenas com a questão cultural, mas também com uma série de atividades que o faz uma maneira de viver, conforme explica o coordenador artístico e vice-presidente da Associação Mandicuera, que fica em Paranaguá, Aurélio Domingues.

“Acredito que o fandango não é apenas um ritmo musical. Ele envolve assuntos como religião (bandeira do Divino), culinária (barreado), luthierismo (produção de instrumentos musicais, como rabeca, viola, etc.), entre outros. Nosso trabalho – e o de outros grupos -ajuda a preservar nossa tradição”, informa.

Para ele, o fandango não corre o risco de ser esquecido, uma vez que esta tradição nunca esteve tão forte. “Temos diversos grupos de fandango em Paranaguá, Guaraqueçaba e Morretes. Estamos montando a Orquestra Rabecômica do Brasil, uma iniciativa inédita, que vai juntar músicos profissionais utilizando apenas rabecas. Por aí você pode constatar que estamos vivos e ampliando horizontes”, afirma.

Quem também corrobora desta informação é a idealizadora do livro Museu vivo do fandango, lançado em 2006, Joana Corrêa. Ela conta que em suas pesquisas percebeu a força por de trás desta tradição.

“Foi dito que o fandango estava fadado ao desaparecimento, mas não foi o que percebi. Pude perceber uma união muito grande entre as pessoas que estão ligadas à esta tradição e posso afirmar que o fandango terá vida longa”, encerra.

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