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Uma competição em pé de igualdade

Gazeta Mercantil - SP, Da Redação, 22/02/2008

As boas vendas da Arco parecem refletir as palavras do curador. Muitas da obras exibidas foram compradas ou ao menos houve demonstração de interesse futuro

Ainda assim, nota-se uma euforia entre o público, colecionadores e os representantes de grandes coleções institucionais, mas não é tempo ainda para grandes sonhos. A própria China dá sinais de que o que existe ali de fato é uma bolha artificial, um mercado também inflado por colecionadores chineses muito mais interessados no status de ter uma quadro milionário que em conceitos estéticos. Não são poucos os críticos sérios que torcem o nariz para essa onda chinesa. Seria o Brasil a próxima arte da moda? A produção nacional é mais livre, quem sabe mais genuína que a chinesa, ainda presa a muitos conceitos antigos, próprios de uma sociedade fechada para o mundo externo por tanto tempo.

O mercado, claro, não é só dos chineses. Os brasileiros parecem levar vantagem no contexto atual e isso talvez seja nosso grande trunfo para um possível melhor reconhecimento estrangeiro da arte nacional. “Hoje o grande problema da Europa é não ser européia, mas árabe, turca. O europeu precisa despertar para o fato de que não é mais europeu, que existe a contribuição dos imigrantes. Com os Estados Unidos ocorre a mesma coisa. A população hispânica é tão ou mais importante que a americana. O Ocidente, enfim, é uma referência do passado. Há um Novo Ocidente. Nós, brasileiros, nos identificamos com esta nova Europa, com o novo Estados Unidos, pois nós nascemos assim. Nossa cultura tem forte contribuição africana, lusitana, indígena…Essa nova Europa se parece conosco, mas nós somos assim há quatro séculos!”, diz o curador Paulo Sergio Duarte.

“O mundo presente é contemporâneo, contraditório, não há índios, mulatas, bananas. Nossa arte é complexa como o mundo em que vivemos. Temos uma arte de qualidade e inteligente que pode competir com igualdade”.

As boas vendas da Arco parecem refletir as palavras do curador. Muitas da obras exibidas foram compradas ou ao menos houve demonstração de interesse futuro. O viodeoartista Cao Guimarães, por exemplo, está na lista de intenções do MoMA, a compra é praticamente certa. Muitos contatos foram feitos, diversos artistas receberam convites para realizar exposições no exterior.

Mas ainda há um longo caminho a percorrer. Com bastante precisão, o ministro Gilberto Gil disse, na Arco, em entrevista coletiva, que “estamos diante de uma situação em que a força simbólica de uma obra de arte é proporcional à sua capacidade de imposição sociocultural e, muitas vezes, é o valor econômico, e não o estético, que determina esse processo”. Segundo Gil, “o Brasil é hoje mais um centro produtor, com artistas de diferentes gerações, do que um mercado”.

Para ser grande, tão grande quanto sugerem estas dimensões de país continental, talvez seja preciso muito mais que criatividade, arrojo, talento. Mas os artistas estão fazendo sua parte. Se somos o país do futuro? Talvez seja cedo para responder, mas por ora, como dizia o titulo do crítico do respeitado “El País”, apresentamos um “jogo bonito”.

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