Ministério da Cultura Brasil

Pontos no exterior

Junto com a ideia da implantação das unidades brasileiras do Programa Cultura Viva, surgiu a concepção dos Pontos de Cultura para atender à comunidade brasileira no exterior. Algumas experiências  foram criadas.

Abaixo, o histórico das iniciativas:

França (Paris), 2005

Por ocasião do ano do Brasil na França, foi inaugurado o primeiro Ponto de Cultura no exterior, na Université Paris Ouest Nanterre La Défense, em contato com Idelete Muzart, professora do Centro de Línguas da instituição.

Em 13 de julho de 2005, foi firmado o acordo. O modelo de gestão para aprovação de projetos foi similar ao adotado no Brasil, por convocação por editais públicos e projetos julgados por comissões de avaliação.

Durante dois anos em que atuou como Ponto de Cultura, cadastrou várias associações franco brasileiras, disponibilizou cursos de língua e cultura brasileira e financiou 12 projetos de caráter fomentador de cultura.

São Francisco (Califórnia, EUA), 2007

Em decorrência da visita à Califórnia do então ministro de Cultura Gilberto Gil, em 2007, foi realizado um processo que selecionou a organização ABADÁ – Capoeira San Francisco para sediar o Ponto de Cultura de São Francisco.

Fundada em 1991 pela Mestra de Capoeira Márcia Treidler, a Organização trabalha com cultura e cidadania, enfatizando questões específicas da realidade dos imigrantes brasileiros e disponibilizando, gratuitamente, cursos e oficinas sobre língua portuguesa e cultura brasileira. O Ponto operou por um ano.

Fort Lauderdale (Flórida, EUA), 2007

O Broward Center for the Performing Arts (BCPA), situado na cidade de Fort Lauderdale, funcionou como Ponto de Cultura por um ano.

O BCPA é uma organização público-privada de difusão de arte e cultura para comunidades do sul da Flórida. Seu complexo arquitetônico atrai mais de 600 mil pessoas por ano.

A parceria com a instituição desenvolveu-se mediante a cessão de uma sala dentro do complexo do BCPA. As atividades ocorreram a partir de um modelo de gestão compartilhada entre o Broward Center e instituições da Flórida que promoviam atividades sócio-culturais voltadas às comunidades brasileiras da região, por meio de projetos aprovados por um comitê técnico.

O ponto máximo da ação foi a Feira do Livro de Miami (Miami Book Fair), em dezembro de 2007. O Ponto de Cultura da Fundação Pierre Verger, da Bahia, representou o Brasil no evento, que teve como tema central a cidade de Salvador.

Viena (Áustria), 2010

Em janeiro de 2010 foi assinado o Acordo de Cooperação Técnica celebrado entre o MinC e a Associação Afro-Brasileira de Dança, Cultura e Arte (ABRASA), situada em Viena, para implementar o “Ponto de Cultura Internacional Brasileiro e Afro-Brasileiro na Áustria”.

O projeto foi aprovado, mas obedecendo lógica distinta ao programa, pois o Ponto não recebe incentivo financeiro do MinC, cujo papel é apenas supervisionar as atividades de execução, avaliando resultados.

A ABRASA é uma instituição sem fins lucrativos que se dedica à prestação de serviços de utilidade pública, em especial promoção e fomento do intercâmbio cultural, acadêmico-científico e de artistas, assim como a oferta de cursos e oficinas nas áreas de dança, teatro, artesanato, folclore e culinária, todos baseados nas tradições afro-brasileira.

Paraguai, 2010

O primeiro acordo de cultura com a participação de uma empresa pública foi firmado em fevereiro de 2010, com a assinatura do Protocolo de Cooperação entre o MinC, a Secretaria Nacional de Cultura do Paraguai e a Itaipu Binacional.

O protocolo prevê a implementação de 30 Pontos de Cultura em 30 municípios espalhados por todo território paraguaio e 10 situados do lado brasileiro, no entorno do reservatório da usina de Itaipu.

Em princípio, a gestão seguirá nos mesmos moldes do modelo brasileiro: edital público de convocação, processo seletivo por comissão de avaliação, três anos de vigência e mecanismos de execução financeira adaptado à legislação paraguaia.

Atualmente, vêm sendo discutidas as ações para instalação de Pontos do lado brasileiro. As negociações com a Secretaria Nacional de Cultura do Paraguai ainda estão em fase inicial, no tocante a implantação de Pontos de Cultura

Uruguai, 2010

Foi lançado, em 11 de junho de 2010, o programa nacional de Pontos de Cultura do Uruguai, em Montevidéu, capital do país.

O Programa se chama Rede Uruguaia Latino-americana de Arte para a Transformação Social (RULATS) e integra a rede Latino-americana de Arte para a Transformação Social (RLATS), expandindo os conceitos do Programa Cultura Viva para uma nova realidade sociocultural.

Outras ações

O interesse pelo Programa fora do Brasil veio de diversas instâncias: governos, acadêmicos e entidades civis ligadas a projetos culturais.

Universidade de Berkeley, Califórnia, EUA

Na Universidade de Berkeley, na Califórnia (EUA), existe uma cátedra sobre Cultura e Literatura luso-brasileira, coordenada pela professora Candace Slater, na qual a experiência brasileira com os Pontos de Cultura é tema de estudos.

Os alunos vêm ao Brasil participar de uma atividade dentro dos Pontos de Cultura e depois fazem um projeto falando da experiência.

O primeiro contato dos universitários de Berkeley com os Pontos de Cultura foi no estado do Ceará, com uma unidade que se articulava com o Museu de Paleontologia. Houve, também, trabalhos sobre cultura oral das comunidades, grupos de dança e estudos específicos sobre a atuação dos Pontos, além da participação de alguns estudantes norte-americanos em oficinas de inglês para membros da comunidade.

Universidade de Londres, Inglaterra

O professor catedrático da Universidade de Londres (University of London) e diretor artístico da ONG People’s Palace Projects, Paul Heritage, implantou, em 2010, o projeto denominado Pontos de Contato, que opera com intercâmbios culturais entre o Programa Cultura Viva e projetos sociais no Reino Unido.

Pesquisador há cerca de 20 anos da cultura brasileira, ele defende o modelo do Programa como revolucionário em relação aos clássicos modelos europeus de apoio à cultura e às artes.

Universidade Romana La Sapienza, Itália

A Itália foi o primeiro país, fora do Brasil, a adotar o modelo dos Pontos de Cultura. Em uma iniciativa da Câmara de Deputados e da administração da região do Lácio, onde está situada a cidade de Roma, foi criado o projeto Officine dell’Arte.

O projeto operou com oficinas de arte e cultura multimídia destinadas ao público jovem, em áreas urbanas deterioradas, como forma de desenvolvimento social e territorial. Por meio de uma parceria com a Universidade Romana La Sapienza, pesquisadores vieram ao Brasil conhecer a experiência dos Pontos de Cultura para levar à Itália.

Em julho de 2006, o então ministro da Cultura, Gilberto Gil, a convite do governo da província de Lácio, participou de conferência sobre o Programa brasileiro e do lançamento do projeto italiano.

Ibero-américa

Nos países ibero-americanos também cresce o interesse pelos Pontos de Cultura. Em uma reunião de ministros da Ibero-américa e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e do Caribe, realizada em setembro de 2009, no Brasil, representantes de 15 nações assinaram a Declaração de São Paulo, na qual consta a decisão de submeterem à próxima reunião de Cúpula dos Chefes de Estado da Ibero-américa uma proposta de criação do Programa Ibero-cultura – nos moldes dos Pontos de Cultura, para ser implantada nos 23 países da região.

A proposta partiu dos representantes do Brasil e da Secretaria-geral Ibero-americana (Segib) no encontro, mas ainda precisa ser sistematizada e enviada à aprovação dos Ministros de Cultura para, só então, ser encaminhada à reunião de Cúpula.

Parlasul

Outra vertente de interesse pela ação dos Pontos de Cultura está focada no Parlamento do Mercosul (Parlasul), entidade que reúne representações de políticos do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, com sede em Montevidéu (Uruguai).

Um projeto de norma da senadora Marisa Serrano (PSDB/MS), propondo a disseminação do projeto dos Pontos de Cultura por todos os países do bloco econômico, foi aprovado na última reunião do Parlasul, realizada em novembro de 2009.

A iniciativa é um primeiro passo para a elaboração de uma legislação regional, que defina políticas articuladas entre os quatro países do bloco, com possibilidade de ampliação para todos os países associados.


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