Ministério da Cultura Brasil

Interações Estéticas discute identidade territorial além das linhas geométricas

Por Tauan Saturnino

No segundo dia do Circuito Interações Estéticas, nesta terça-feira (9 de novembro), a mesa temática tratou da questão do Território. Estiveram presentes no debate Mãe Lúcia de Oyá, representante do Ponto de Cultura Bankoma (BA), Jaime Custódio, autor do projeto Interações Visuais Infoestéticas (CE), Rafael Leona, representante do coletivo Política do Impossível (SP), Isabelle Albuquerque, coordenadora de comunicação da Secretaria de Cidadania Cultural (SCC), e Márcia Souto, secretária de Patrimônio e Cultura de Olinda (PE).

Mesa tema: Território. Foto: Kleber Fragoso

A mesa teve seu início com Mãe Lúcia contando a história do povo Bantu, etnia africana a qual pertence, para logo em seguida detalhar as ações desenvolvidas pelo Bankoma e sua relação com a Associação São Jorge Filho de Goméia, uma rede de terreiros de Candomblé da Bahia. Ela destacou o impacto positivo na auto-estima da comunidade a qual atende. “As meninas antes tinham vergonha de mostrar os cabelos. Colocavam um pano por cima. Agora já não fazem mais isso”, afirmou Mãe Lúcia.

Jaime Custódio apresentou alguns de seus vídeos enquanto falava sobre o processo criativo e de sua afinidade com o audiovisual. Criticou o otimismo em relação à internet, afirmando que num futuro próximo existe a possibilidade de um controle sobre ela, bem como a onipresença da mídia no cotidiano das pessoas. “Você pode até criticar, mas não tem como fugir dela” comentou o artista.

Rafael Leona discutiu o conceito de identidade ao comentar sobre sua nacionalidade e o trabalho que realiza com comunidades quilombolas. “Pode um argentino, descendente de italianos, ser um quilombola?”,indagou ele, para em seguida afirmar o processo de construção de uma identidade e como isto é, em si mesmo, um território. No fim de sua explanação, ele apresentou um vídeo sobre o quilombo urbano olindense Coco de Umbigada.

Fim das ‘linhas geométricas’

Isabelle Albuquerque, Coordenadora de Comunicação da SCC/MinC. Foto: Kleber Fragoso.

Isabelle Albuquerque, Coordenadora de Comunicação da SCC/MinC. Foto: Kleber Fragoso.

Em sua fala, a coordenadora da SCC, Isabelle Albuquerque, destacou o poder de articulação do povo brasileiro ao comentar o vídeo sobre o Coco de Umbigada. Ressaltou que o conceito de território não poderia se resumir a “linhas geométricas” e sim a identidade escolhida por cada um, dando como exemplo a capital federal. “Brasília foi projetada de modo que as pessoas não precisassem sair de suas quadras, pois cada uma delas teria um centro de comércio para atender a população local.No entanto, os brasilienses não estão confinados à suas próprias quadras”, afirmou.

Márcia Souto encerrou a mesa citando o falecido designer gráfico Aluísio Magalhães, ao afirmar que “não vale a pena o progresso material sem dar atenção aos sentimentos da população”. Comentou o preconceito contra a região Nordeste demonstrado nas eleições presidenciais e destacou, embora reconhecendo os problemas de infra-estrutura, a importância de Olinda enquanto patrimônio histórico e cultural da humanidade.


Participação do Leitor


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