Ministério da Cultura Brasil

Cultura como base para mudanças sociais

Por Marcela Ferraz

Mesa Território. Foto: Denilson Soares

Discutir a relação entre a cultura e seu espaço de atuação, permitindo transformações em comunidades, foi o tema da segunda mesa de debates do Circuito Interações Estéticas de BH, na tarde de sexta-feira, 26 de novembro. Foram apresentados alguns projetos culturais, como o “Vamos para rua”, e os projetos vencedores do Prêmio Interações Estéticas “Do Pinhole ao Digital” e “Ciclo.vista de noite in.vento”.

Segundo Carla Benassi, mediadora do debate e consultora da Secretaria de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura (SCC/MinC), a ideia da mesa foi discutir como os projetos passam do âmbito cultural para a mobilização política. Ela explicou sobre os diferentes conceitos de território na sociedade. “Há um primeiro território, onde o artista se insere para realizar seu projeto. Outro, o território das artes, que é usufruído pelas comunidades em seus Pontos de Cultura, e um terceiro território, difícil de nomear e que se origina da contaminação resultante de todo este processo”.

Entre os projetos apresentados, o “Vamos para Rua”, da ONG Favela É Isso Aí, soma diversos livros, além de mais de 30 documentários. “Esperamos que, para cada projeto nosso, seja produzido um material concebido pela comunidade e usado por eles”, disse Clarice Libânio, coordenadora executiva da entidade, que foi aprovada como Ponto de Cultura no último edital, em 2009, em parceria  com o governo de Minas Gerais.

Laços com a comunidade

No interior de Minas Gerais, no Arraial da Morte, distrito de Belo Vale, o Grupo Passo realizou o projeto “Ciclo.vista de noite in.vento”. O trabalho foi realizado com oficinas de fotografia e cinética que resultaram em uma escultura exposta no centro do arraial. Flávia Regaldo, artista plástica e representante do grupo, contou que a residência de seis meses criou um forte laço entre todos os envolvidos. Um dos objetivos era finalizar o projeto e deixar algo para a comunidade. Assim, foi deixada a escultura que projeta as fotografias tiradas pelos moradores e que se move por energia eólica. “A comunidade muda quando aprende a valorizar mais seu potencial”, afirmou.

A fotógrafa Inês Gomes apresentou o “Pinhole ao Digital: A interação entre o artesanal e a tecnologia”,uma iniciativa que teve a parceria com o Ponto de Cultura Ti Vi no Morro, realizado em escolas na periferia de Sabará (MG). Há anos trabalhando com fotografia, Inês contou sobre a falta de disposição por parte dos professores em desenvolver projetos extras com a comunidade. “A demanda vem principalmente do desejo dos moradores”, disse. Ela percebeu que, inicialmente, as pessoas não viam nada de interessante em sua comunidade e passaram a admirá-la através das fotografias que tiraram.


Participação do Leitor


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